OURO DE GOIÁS PARA
MATO GROSSO NO SÉCULO XVIII
A Coroa portuguesa, no século XVIII, se preocupava bastante com a defesa da Capitania de Mato Grosso (que parecia ameaçada pelos espanhóis das regiões de Chiquitos e Moxos, mais a oeste). E pensando nisso o rei D. João V ordenou à Capitania de Goiás que transferisse quantidade considerável de ouro para o governo sediado em Cuiabá. Os seus sucessores deram ordens iguais. Esse envio deveria ser anual, mas não estava definido o quanto deveria ser enviado. No ano de 1775, essa quantidade foi fixada em oito arrobas.
Os governadores de Goiás reclamavam. Diziam que a transferência anual de ouro para Mato Grosso prejudicava a administração colonial goiana e pediam ao governo mato-grossense que procurasse depender menos daquele auxílio. "Deve cada uma das Capitanias economizar os seus rendimentos de modo que por eles façam suprir as despesas que lhes competem", declarou o governador José de Almeida de Soveral e Carvalho em mensagem de 1776.
Para se proteger dos espanhóis, o governo de Mato Grosso construía fortificações como o Real Forte Príncipe da Beira, a maior edificação militar portuguesa erguida no continente americano. Está localizada às margens do rio Guaporé, em Rondônia. A construção teve início em 1775 e foi concluída em 1783. Eram obras dessa magnitude que justificavam a transferência do ouro de Goiás para Mato Grosso.
Em 1779, a rainha D. Maria I diminuiu a contribuição goiana para Mato Grosso. Caiu para 300 marcos de ouro por ano.
O rio Guaporé e o Real Forte Príncipe da Beira, que
o ouro de Goiás ajudou a construir no século XVIII.
SAIBA MAIS:
Goiás na arquitetura geopolítica da América portuguesa
Fernando Lobo Lemes (UEG)
Link: artigo
24.03.2021
