PEDACINHOS DA HISTÓRIA GOIANA (n. 73)


A CIDADE GOIANA SEM NENHUM ELEITOR


Em 1881, foi aprovada a chamada Lei Saraiva, que reformou o sistema eleitoral do Império do Brasil. Uma das novidades era o voto direto. Estava extinto o sistema em que primeiro os chamados "votantes" escolhiam os eleitores e depois os eleitores votavam nos candidatos a deputados e senadores. Existiria apenas o voto dos eleitores (que era o chamado "voto direto") e tornou-se necessário, então, fazer um novo alistamento eleitoral em cada província, determinando quem teria direito a votar de acordo com a nova lei. Em Goiás, esse alistamento foi iniciado por Joaquim de Almeida Leite Morais, presidente da província de fevereiro a dezembro daquele ano de 1881.

O presidente se dizia um defensor convicto do novo sistema e se orgulhava por ter conseguido implantá-lo na província com quase nenhuma reclamação dos dois grandes partidos políticos da época: o Conservador e o Liberal.

Mas houve fatos que chamaram a atenção. O mais esquisito deles deu-se em Porto Imperial, que era uma cidade importante do norte goiano. Não houve um único eleitor alistado ali. Para o presidente Leite Morais, tratava-se ou de um "plano político, ou indiferença profunda pelas coisas públicas". Talvez uma "condenação da reforma [Lei Saraiva] pelo silêncio e pela abstenção". Já em Natividade, que fazia parte da mesma comarca eleitoral, o alistamento foi feito sem problemas.

Goiás foi dividido em dois distritos eleitorais. O primeiro tinha 1.506 eleitores e a cidade de Goiás como cabeça do distrito. O segundo contava com 1.373 eleitores e a vila de Cavalcante era a cabeça do distrito. Ao todo, apenas 2.879 goianos tinham direito a voto. A população livre de Goiás era de mais de 150.000 pessoas.





Imagens: Relatório do presidente da província
de Goiás, com número de eleitores (1881)


SAIBA MAIS:

25.11.2021