PEDACINHOS DA HISTÓRIA GOIANA (n. 65)


MORRINHOS QUERIA CONSTRUIR UMA ESTRADA ATÉ UBERLÂNDIA
E NEM ESPEROU A RESPOSTA DO GOVERNO ESTADUAL


Morrinhos, no fim do século XIX, estava se tornando a cidade mais progressista de Goiás. Apesar de possuir líderes políticos coronelistas que se envolviam e davam apoio aos seguidos governos oligárquicos do Estado, a elite morrinhense possuía uma mentalidade mais capitalista e ansiosa por modernização. Conectar-se com a região Sudeste, que era a mais rica do país, era uma das demandas mais importantes da cidade.

Quando os trilhos da estrada de ferro Mogiana chegaram em Uberlândia (Minas Gerais), a elite de Morrinhos se animou. Sua câmara municipal reuniu-se com a de Uberlândia e ficou acertada a construção de uma estrada de rodagem entre as duas cidades. O governo goiano foi informado. O próprio município de Morrinhos se responsabilizou por todas as obras de construção da estrada até a barranca do Paranaíba. Solicitou ao governo estadual apenas um apoio financeiro de quatro contos de réis.

Morrinhos não esperou nem a resposta. Em documento de 29 de outubro de 1895, a câmara municipal declarou que acreditava no apoio do governo e informou que já começaria "a abertura da estrada que lhe compete". A vontade de aumentar suas relações comerciais com os mineiros e com os outros Estados do Sudeste era enorme e não podia demorar.

Depois, o governo estadual concedeu o apoio solicitado.

Foi a época em que a capital do Estado se consolidou como pólo do coronelismo anti-progressista, enquanto a região mais ao sul de Goiás começou a se tornar uma área de economia mais dinâmica e moderna.


Hermenegildo Lopes de Moraes, que foi deputado federal
e senador da República, destacou-se por vários anos como
líder político de Morrinhos e simbolizava o grande anseio
da cidade: modernizar a região sul de Goiás.


SAIBA MAIS:
Morrinhos: coronelismo e modernização  1889-1930
Eron Meneses de Amorim (UFG)

29.09.2021