IRMANDADES DE NEGROS EM GOIÁS
As irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos existem desde o período colonial no Brasil. Eram associações vinculadas à Igreja Católica e formadas por negros livres e escravos. Brancos e pardos também eram aceitos, mas formavam uma minoria reduzida.
Em Goiás, a primeira dessas irmandades foi oficialmente reconhecida por volta de 1730, em Vila Boa (hoje, Cidade de Goiás). Depois a Igreja Católica reconheceu outras:
1736: Meia Ponte (hoje, Pirenópolis)
1762: Pilar
1762: São José do Tocantins (hoje, Niquelândia)
1769: Santa Luzia (hoje, Luziânia)
1777: Crixás
1786: Natividade
1791: Bonfim (hoje, Silvânia)
Cada irmandade era dirigida por um conjunto de "oficiais", que ganhavam os títulos de rei, rainha, juiz, escrivão, tesoureiro e procurador. Esses oficiais eram eleitos anualmente e, geralmente, deviam ser africanos ou descendentes de africanos, mas se não houvesse negros alfabetizados na irmandade, homens brancos podiam ser escolhidos como escrivães, tesoureiros e procuradores.
Em Vila Boa e outros municípios de mineração, as irmandades exigiam que os seus membros lhes fizessem uma doação anual em ouro. Em Meia Ponte, podiam ingressar na irmandade homens, mulheres e até meninos (de "doze anos para cima"). Eram associações quase livres em que até os escravos tinham voz ativa para instituir normas.
Igreja Nossa Senhora do Rosário,
na Cidade de Goiás (Fonte: O Popular)
SAIBA MAIS:
Construindo comunidades: as irmandades dos pretos e pardos
Mary Karasch
Publicado no livro A História Escrita: percursos da historiografia goiana
12.08.2020
