O CATOLICISMO RADICAL DO BISPO PONCE DE LEÃO
Cláudio José Ponce de Leão chegou à cidade de Goiás em 1881. Era um bispo ultramontano, isto é, um religioso de lealdade radical aos princípios católicos. E estava disposto a combater todos os vícios e pecados que maculassem a diocese colocada sob o seu poder.
Decidiu sair em viagens pastorais. Em 1882, visitou diversas comarcas eclesiásticas do leste de Goiás. Em 1883, foi ao norte da província. Em 1884, fez a sua terceira viagem, que foi a mais demorada. De abril a dezembro, passou por várias paróquias e freguesias do sul de Goiás.
Notou que o concubinato era comum entre os goianos e reagiu àquela situação. Realizou 400 casamentos no ano de 1882. E cerca de mil no ano seguinte. Um esforço gigantesco para pôr os casais sob a "lei de Deus".
Em uma carta pastoral, o bispo determinou que as procissões fossem encerradas ainda durante o dia. Era comum que à noite as procissões se transformassem em festas profanas cheias de práticas reprováveis para o catolicismo. Para Ponce de Leão, moralizar as celebrações religiosas era imprescindível.
Em 1887, foi realizado o Sínodo Diocesano de Goiás, que aprovou e reforçou a cruzada evangelizadora e moralizadora do bispo e da Igreja.
Ponce de Leão foi bispo de Goiás até julho de 1890.
O bispo Eduardo Duarte Silva, sucessor de
Ponce de Leão, também era ultramontano.
SAIBA MAIS:
Catolicismo em Goiás durante os bispados de Dom Cláudio José Ponce de Leão (1881-1890) e de Dom Eduardo Duarte da Silva (1891-1907). O auge do ultramontanismo em Goiás.
Leila Borges Dias Santos (UFG)
16.09.2020
